segunda-feira, 10 de maio de 2010

AS COISAS QUE PERDEMOS

   Outro dia começei a pensar nas coisas que mandamos consertar, fazer e nunca mais vemos. Um exemplo: quando estudava na PUC mandei fazer uma blusa preta com escritos em amarelo e vermelho para uma menina que trabalhava lá. A blusa saiu errado e mandei refazer...quem disse que peguei de volta?Fico imaginando: por onde andará a minha blusa?

  Sapato é outra coisa que sou mestra em perder. Mando arrumar o salto, ou o bico e se não for caso de urgência, vou deixando...Acabo comprando outro e me esqueço do coitadinho me esperando no sapateiro. Por onde andarão os meus sapatos antigos? Será que foram aquecer outros pés ou simplesmente foram jogados fora? Com ou sem salto?

   E roupas na costureira? Tenho um vestido de lantejoulas que mandei bordar algumas partes que estavam estragadas. Deve ter mais de um ano. Acho que não é muito meu estilo mesmo um vestido de lantejoulas, pois nunca mais senti falta dele nem tampouco tive oportunidade de usar. Será que nos desfazemos de forma inconsciente daquilo que não nos serve mais? Teimamos, mas largamos.

  Achados e perdidos de rodoviárias, shoppings, devem ter histórias muito interessantes. Na pressa, tem gente que deixa até os presentes que comprou para os parentes distantes.Fogões, malas, bicicletas, tudo fica para trás quando o ônibus chega.Imagina a decepção de quem está em outro estado esperando pela televisão novinha?.Pior é quando não tem como repor... Minha prima, por exemplo,esqueceu o filho...mas isso já foi enredo de filme...

  Tem coisa que mesmo deixando de ser nossa, nunca esquecemos. Tinha um gato quando morava em São Paulo e quando voltei para a terrinha tive que me desfazer dele. Ou então, pagava uma fortuna em vacinas e passagem para o Tom vir morar comigo. Não teve jeito, doei meu gato. Como será que ele está hoje? Será que a menina que o acolheu ainda é a dona? Teve filhotes, fugiu de casa? Encontrou a minha blusa?

   Tantas coisas temos, tantas perdemos.Renovamos roupas, sapatos e até sentimentos. E gatos.Acredito sempre nas mudanças, afinal, poucas coisas não podem ser substituídas. Prometo que terei outro felino para me fazer companhia, assim que me mudar. E ele será meu, até a vida nos atropelar de novo e mudar os rumos da nossa história...ou não.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

SER MÃE TAMBÉM É MUITO BOM!

 Quando vai se aproximando o dia das mães, também começam a surgir as homenagens. E, sinceramente, não tem nada mais triste do que músicas e poemas para mães. Todas são saudosistas, sofridas, mães abandonadas, amarguradas...já reparou? Começa com aquela famosa: "Ser mãe é padecer no paraíso"... passando por " Eu me lembro o chinelo na mão, o avental todo sujo de ovo..." entre tantas outras que colocam a mãe como um ser absolutamente sem vida pós parto.Sem vida e chata!

  Sinceramente, ser mãe é muito legal! Tem todos os percalços normais de noites sem dormir, dias de fúria, doenças e desobediências, mas tem - e muita - coisa legal. Tem os abraços, as sessões de cócegas, as brincadeiras, as notas 10 e quase 10...O fato de ser amada e reconhecida como mãe em qualquer momento da sua vida, os desenhos animados que a gente tem a desculpa de rever, os doces que somos obrigadas a comer (sacrifício...) e todo um universo lúdico e lindo que somos inseridas assim que esses presentes entram em nossas vidas.
 
  Aprendemos de novo as regras de gramática, nos inteiramos com as gírias da moda e nos acostumamos  a ser chamadas de -" Véia!" sem ganhar nenhuma ruga.Nos apaixonamos de novo com os primeiros namoricos e freamos os hormônios dos nossos rebentos.Estou  na fase de fazer para casa e cambalhotas com o pequeno,dividir tênis com o meu mais velho e andar abraçada pelas ruas:
 - Mão dada só para atravessar, né mãe?

  Lógico que antigamente ser mãe não era tão prático como hoje,como cantavam as músicas e poemas de outrora, mas também não era tão preocupante...Afinal, depois que inventaram internet e celular, todos conceitos de educação foram revisitados.Mas hoje temos mais liberdade com os filhos, falamos ao invés de bater, brincamos antes de gritar e partilhamos a vida como bons amigos. Com limites, claro, mas com muito mais sorrisos.E muito mais alegria!

  Sinceramente, cansei de padecer no paraíso! Quero ser uma mãe astral com filhos idem. Dividir tarefas, delegar responsabilidades e ter mais tempo para mim e para curtir ser mãe.Já me imaginou de avental - sujo de ovo! -  e com chinelo na mão? Deus me livre...prefiro me sujar de sorvete, passar uma tarde no parque,ter tênis e bola no pé para jogar o nosso futebol "argentino" em que a única regra é ser feliz...E viva as mães!!!